Saiu na CNN Brasil que moradores no litoral do Rio estão denunciando a abertura artificial da barra de uma lagoa, sem autorização e sem estudo. Li a notícia pensando no canal Barra da Lagoa, aqui em Florianópolis. O cenário é diferente, mas a pergunta é a mesma: quem está de olho quando alguém mexe na ligação entre a lagoa e o mar?
O que me chamou atenção não foi a máquina na areia. Foi o fato de que, de novo, quem percebeu primeiro foi morador. Não foi fiscal, não foi câmera, não foi relatório técnico. Foi gente que mora ali, conhece o nível da água e sabe quando o cheiro muda. Isso tem nome: participação cidadã. E ela só funciona quando o poder público trata a denúncia como informação, não como incômodo.
O canal Barra da Lagoa é de todo mundo, mas o cuidado é de quem mora perto
Aqui, o canal é a saída natural da Lagoa da Conceição. Dele dependem a pesca artesanal, a qualidade da água de banho e a segurança de quem navega. Toda vez que se fala em dragagem, em alargar ou em intervir na foz, a decisão não pode ser tomada em gabinete e aparecer pronta no bairro. Quem conhece a maré de cada estação é o pescador do Trapiche, não a planilha.
Nós já aprendemos isso do jeito mais caro em 2021, quando a lagoa de evapoinfiltração da Casan rompeu e o barro desceu pela orla. Os moradores avisaram antes. A diferença entre aviso ouvido e aviso ignorado é o tamanho do estrago.
Denunciar tem caminho, e ele precisa funcionar
Hoje o morador da Barra pode acionar a Floram, a Polícia Militar Ambiental, a Ouvidoria 156 da Prefeitura e, se nada andar, o Ministério Público. O problema é que esses canais só valem alguma coisa quando devolvem resposta com prazo e nome de responsável. Denúncia que cai no vazio ensina a comunidade a não denunciar mais. Fiscalização de verdade na Barra da Lagoa começa em respeitar quem avisa.
via CNN Brasil
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